quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

TOP TRIN: HERÓIS ESTÚPIDOS

Vários super-heróis são tão inteligentes quanto são poderosos. Tony Stark inventou uma maneira de voar em uma armadura, Peter Parker inventou uma maneira de atirar teias e Bruce Wayne tem uma das mentes mais formidáveis dos gibis. Mesmo o Incrível Hulk, cujo tempo todo é burro, passa parte do tempo como físico nuclear.

Mas alguns dos defensores do bem não são tão brilhantes. Só adiantando, não quero dizer que seus poderes são estúpidos, como fiz em outra postagem. Esses são apenas os personagens menos inteligentes na história dos quadrinhos.


5º LUGAR: TORPEDO

Torpedo era um cara com um traje de vôo que gritava cada pensamento que tinha. Até aí tudo bem, tem um monte de super-herói que faz isso.


Mas Torpedo fazia isso tanto que deve ter ficado surdo, pois sempre era emboscado. Nunca ouvia ninguém vindo. E o que é estranho é que isso nunca mudou, mesmo quando ele começou a somente pensar. Por alguma razão, Torpedo não podia ouvir os inimigos que se aproximavam por trás de seus balões de pensamento. Veja essa batalha, onde ele foi surpreendido três vezes diferentes pelo mesmo cara na mesma briga. E o cara estava usando um foguete...


Torpedo era mesmo um fenômeno. Em outra edição, ele se infiltrou em um edifício à noite pra ler alguns arquivos. Esse era o tipo perfeito de missão silenciosa onde Torpedo teria a oportunidade de finalmente ouvir alguém vindo. Em vez disso, ele é surpreendido por quatro homens gritando e usando foguetes barulhentos.

Mas é importante entender a história da origem de Torpedo antes de falar sobre sua idiotice, falta de reflexos e incapacidade de ver ou ouvir alguém chegando. Tudo começou quando Brock Jones testemunhou o Demolidor lutando contra o Torpedo anterior. Sua luta quebrou uma parede, deixando escombros em todos os três. Brock prometeu ao moribundo desconhecido que iria continuar o seu legado, após ele contar sua história em uns 2 minutos. Então ele corajosamente espera o cara morrer pra que ele pudesse pegar seu uniforme.


Foi realmente muita sorte Brock colocar o uniforme de um homem morto na frente de um super-herói cego, pois quando o Demolidor se levanta ele não pode dizer a diferença entre eles. Ele não vai admitir que é cego, então ele tenta prender Brock por assassinato mesmo sabendo que ele não é o assassino. Que confusão...


Por algum motivo, eles deixam Brock se manter como Torpedo, o que lhe permitiu voar e dar socos reforçados por turbinas. Infelizmente, a sua incapacidade pra calar a boca tinha um sério efeito sobre a precisão desses turbo-golpes:


O grande Torpedo morreu da mesma forma como lutou contra o crime: gritando pro ar enquanto alguém veio por trás dele e o acertou. Em homenagem a seu legado, eles ainda roubaram suas roupas. Fãs de quadrinhos, nunca esqueçam suas palavras finais: "AGGHH".



4º LUGAR: MARY MARVEL

O Capitão Marvel era um menino que podia se tornar um super-herói gritando "Shazam". Era a realização do desejo de muitos jovens leitores. Ainda assim, a Fawcett Comics estava preocupada que crianças mais burras estivessem tendo problemas em entender o personagem, então eles criaram o Capitão Marvel Jr., um menino que se transformava em um menino, perfeito pra leitores com inteligências mais curtas. Em seguida, eles adicionaram os Tenentes Marvel, três Shazams caipiras pra fazer felizes seus leitores mais simplórios. Finalmente, eles vieram com a idéia de uma versão de coelho (Hoppy, o Coelho Marvel) para os leitores que eram completamente idiotas. Ah, sim, depois de tudo isso vieram com a idéia de fazer uma menina Marvel.


Não se deve esperar muito de uma garota adolescente dos anos 40 que era só mais uma imitação do Capitão Marvel, mas o que eles fizeram ficou muito abaixo das expectativas. Mary Marvel parecia ter apenas dois neurônios, e um sempre estava de folga. Seus inimigos eram geralmente adolescentes mal-humorados sem poderes que sempre fugiam jogando algo no olho dela.


Mary tinha qualquer falha que você imaginar. Ela não lutava ou resolvia crimes e seus reflexos, muitas vezes, levavam umas quatro ou cinco páginas pra funcionar. Porém, o aspecto mais hilário de sua idiotice é que ela era incapaz de ver através até mesmo do disfarce mais vagabundo.

"Droga, o cara de terno laranja que estou procurando NÃO TEM CHAPÉU. Quase."

Os disfarces assombraram toda a carreira da Mary Marvel. Uma mudança de calças ou um chapéu tiraria ela do seu pé. Se você esganasse um cachorrinho com uma mão e acenasse pra Mary Marvel com a outra, ela pediria licença e ia perguntar se você viu alguém passar correndo.


Depois que centenas de criminosos usaram os piores disfarces pra escapar, Mary começou a perceber que ela tinha um problema. Infelizmente, os problemas não são facilmente resolvidos pra quem é burro demais. Sua solução de que todo mundo era um vilão disfarçado teve consequências terríveis.










































3º LUGAR: HOMEM-BALA

Em 1940, Jim Barr queria ser um policial. Infelizmente, ele não podia atirar, correr ou algo do gênero. Foi quando ele teve uma grande idéia: ele deveria inventar um soro que cura o crime.


Quando Jim terminou a sua "cura do crime," não era algo que você injetava em criminosos pra torná-los agradáveis. Era algo que você bebia pra fazer seu corpo capaz de lutar contra o crime. O soro também fez de Jim um gênio, então ele inventou um chapéu de gravidade. Ele sabia que isso não era suficiente, então ele foi além e fez um traje que iria "meter medo nos malfeitores". Vamos ver o resultado de sua idéia genial:


A coisa mais idiota sobre o Homem-Bala não é que ele pensou que curaria o crime por beber uma poção. O problema é que a única coisa que ele fazia pra combater o mal era dar socos, e seus golpes não faziam nada. Às vezes seus inimigos simplesmente fugiam depois de um soco...


...mas a maior técnica de combate do Homem-Bala era levar alguns golpes na cara pra, em seguida, ser acertado com alguma mobília. 


Aqui vai mais um exemplo:


Ele logo pegou uma ajudante chamada Garota-Bala. Ela tinha exatamente as mesmas capacidades do Homem-Bala, mas com socos mais fracos e menos calças. Ser derrubada com um vidrinho de tinta já mostrava todo o seu poder:


A identidade secreta do Homem-Bala (Jim Barr) não era um segredo muito bem guardado. Em primeiro lugar, o capacete à prova de balas não cobria o rosto. Em segundo lugar, a Garota-Bala tinha a tendência de gritar seu nome verdadeiro o tempo todo e por qualquer motivo. Agora, se você combinar esses dois problemas com seus golpes inúteis e sua fraqueza para móveis jogados... bom, é horrível demais pra se pensar:

"HEY, SUSAN KENT. PARE... DE DIZER... A PORRA... DO MEU NOME".

Quando você é fraco o suficiente pra ser derrotado por qualquer banquinho e é estúpido o suficiente pra pensar que curaria o crime através dos socos mais sem-vergonhas do mundo, é importante escolher suas batalhas. Esse era o melhor talento do Homem-Bala. Nenhum único vilão contra quem ele lutou tinha algum poder, e a maioria deles não era nenhum atleta olímpico. É com grande prazer que apresento a mais mortal batalha do Homem-Bala contra seu inimigo mais diabólico: um homem idoso acima do peso.



Depois de conhecer a eficiência dos famosos socos impotentes do Homem-Bala, você pode estar se perguntando como eles derrotaram essa ameaça obesa. Prepare-se para o emocionante final surpresa:


E o chapéu salvou o dia. HOMEEEEMMM-BAAAAALAAAA..."


2º LUGAR: THOR 


Thor tem vivido na Terra há mais de 50 anos e fala como um personagem saído de uma peça de Shakespeare, mas isso não o livra de esquecer a própria força. No filme dos Vingadores o Capitão América teve sorte de seu escudo conter vibranium (eu acho), pois o ataque sem-noção de Thor deveria transformar o Capita em gelatina.


Essa situação foi muito fiel aos quadrinhos, pois quando os Vingadores descongelaram o Capitão América, a primeira coisa que Thor fez foi tentar acertá-lo com seu martelo. E eles estavam em um submarino...


Thor também tem a distinção de ser o único super-herói que diz sua identidade secreta em alto e bom som quando está em público.


E não é como se o disfarce mortal do médico Don Blake fosse mais inteligente quando ele estava se transformando em Thor, pois bater a bengala pra invocar um trovão dentro de um hospital não é lá muito silencioso.


Nos anos 60, Thor não podia exatamente voar. O que ele fazia em vez disso era jogar seu martelo e ser arrastado pelo céu pela correia de pulso. Se você desenhar um rosto em um rojão, ele e Thor teriam o mesmo nível de heroísmo.


Thor tinha um problema sério pra se livrar de truques. O que é estranho, já que ele passou a maior parte da vida com seu meio-irmão que era o deus da trapaça. Ainda assim, Thor sempre caía em alguma armadilha e vivia em estado de indignação e surpresa. Provavelmente por isso que, mesmo imortal, ele usava capacete.



1º LUGAR: MULHER INVISÍVEL


Quando o Quarteto Fantástico foi para o espaço, os três homens ganharam incríveis superpoderes e a garota ganhou a habilidade de desaparecer. Essa é uma habilidade difícil de usar pra qualquer coisa heróica, mas isso foi há mais de 50 anos. Na imaginação de um homem de 1961, a coisa mais incrível que uma garota podia fazer era calar a boca e ir embora. Mas o poder de Sue Storm desaparecer era inútil. Por exemplo, ela foi posta em ação no meio de um compromisso com o cabeleireiro, e tudo que fez foi proteger sua vaidade.


Sue demorou um longo tempo pra dominar seus poderes, principalmente por causa de sua idiotice incapacitante. Ela já tentou desaparecer enquanto estava sendo segurada e pelo menos uma vez por luta ela foi descoberta por um criminoso inteligente que percebeu que a Mulher Invisível devia estar localizada em algum lugar perto de um objeto não-invisível que ela estava carregando. Pra piorar a situação, sua estupidez combinada com sua incapacidade de bloquear a visão da TV era extremamente atraente pra supervilões. Eles quase sempre mudavam seus planos de "dominar o mundo" pra "casamento" quando a conheciam.


Hoje qualquer um sabe que Sue Storm é uma lutadora talentosa e bióloga que pode projetar campos de força inquebráveis. Bom, ela não tinha isso naqueles seus dois primeiros anos de aventura. Você pode até achar que eu estou exagerando com esta mulher que integra o Quarteto Fantástico há anos, mas já naquela época havia um número esmagador de leitores perguntando por que eles a deixavam perto do perigo ou da ciência. Suas críticas pareciam duras, especialmente quando esse é o tipo de trabalho de detetive que ela fazia:


Seus poderes poderiam ter sido piores do que inúteis. Toda vez, e isso quer dizer em cada edição, ela se esquecia que estava invisível. Como você pode imaginar, isso pode ser muito perigoso...


Obviamente, isso era pra acontecer só uma vez. Afinal, que tipo de idiota iria andar invisivelmente no meio da estrada uma segunda vez?

AH, SUSAN. CÊ TÁ DE BRINCADEIRA, NÉ???

Não sei quantos acidentes de trânsito você tem que causar antes de se qualificar como um super-herói, mas felizmente ela estava buscando melhorar a si mesma durante seu tempo livre. Isso nos traz a uma das grandes idéias da Mulher Invisível: depois de trocentas aventuras que nunca envolveram cães e onde cada inimigo que não era cão a encontrou, ela decide que a única coisa que pode atrapalhar sua invisibilidade são os cães.


Agora vem a cagada. Ela tem a teoria de que existe uma combinação perfeita de aromas que vai fazê-la indetectável para os cães. Que merda é essa??? Ela estava usando perfume pra enganar cães. Sem sentido.

Homem-Molecular e uma maneira muito eficiente de se deter uma super-heroína.

Então sim, ela era uma anta, mas não era incapaz de aprender. Depois de anos sendo facilmente localizada, sequestrada e forçada a se casar, ela começou a dar um jeito nisso.

Mas que dava pra ter umas 3 matérias sobre imbecilidades da Mulher Invisível, ah, isso dava. See ya later...

domingo, 30 de novembro de 2014

ROBERTO GÓMEZ BOLAÑOS

Suspeitei desde o princípio.
A certeza da morte é a coisa mais garantida e chata da vida, mas quando ela chega a gente sempre reclama que ela veio na hora errada. Roberto Gómez Bolaños morreu umas 7 ou 8 vezes nos últimos 15 anos, com boatos que sempre pegavam a gente de surpresa. Sua ida definitiva nos pegou desprevenidos, mesmo sabendo de todos os problemas de saúde que ele enfrentava há tempos. Resta a saudade e o agradecimento a um mestre do humor simples, inocente e excelente. Não por acaso, seu apelido Chespirito era um diminutivo espanhol para Shakespeare.
Nascido em 21 de fevereiro de 1929, Bolaños se formou em engenharia, mas sua tendência era mesmo o humor. No fim da década de 40, passou a ser roteirista de rádio e televisão. Seu sucesso o levou, em 1968, para a TV TIM, em programas de meia hora aos sábados, "Los Supergenios de la Mesa Cuadrada" e "El Ciudadano Gómez". Nesses programas ele descobriu sua veia de ator.
Em 1970, a emissora aumentou pra uma hora a duração das transmissões, passando pras segundas-feiras às 20 horas. O nome do programa mudou pra "Chespirito", com vários personagens dele. Nesse ano nasceu o Chapolin e, no ano seguinte, El Chavo del Ocho. Fizeram tanto sucesso que acabaram ganhando séries próprias, conquistaram a América Latina e eternizaram um elenco fora de série.
A chegada ao Brasil se deve muito mesmo a Sílvio Santos, que no início do SBT investia em produções latinas para a grade da emissora. Depois de assistir várias fitas só com o filé das novelas e séries mexicanas, faltava ainda uma fita. Um dos diretores avisou que o acordo pra ter os direitos de transmissão era de comprar todas as fitas. Nessa última, Sílvio viu um menino pobre, outro rico, uma menina sardenta, uma mulher de avental azul, uma produção bem capenga se comparada aos outros programas do pacote. O custo pra dublar e pôr no ar não valia a pena, mas o "Patrão" solicitou 10 episódios dublados como teste. No dia da reunião com os diretores pra avaliar, todos disseram "NÃO" praquele seriado fraco de dar dó. Sílvio agradeceu a opinião e disse: "Vou comprar". Finalmente, em 1984 "Chaves" estreava no programa do Bozo. Exatos 30 depois nos despedimos de seu criador. O garoto órfão deixa muitos órfãos, sem querer querendo.
Pra relembrar (como se fosse necessário hehehe), aqui vai a lista de sempre do blog, com os melhores episódios de "Chaves".


5º LUGAR: O DESPEJO DO SEU MADRUGA
No dia em que finalmente os 14 meses de aluguel viram 15, Seu Barriga dá ordem de despejo ao Seu Madruga. Ajudando a empacotar as coisas, as crianças descobrem um álbum de fotos, que revela histórias do passado do lombriga esticada, como o nascimento da Chiquinha e a chegada do Chaves na vila. Dona Florinda também folheia um álbum, onde vemos o pai do Kiko. Barriga passa o episódio inteiro como vilão, mas no final arruma um jeito de perdoar toda a dívida do Seu Madruga.


4º LUGAR: OS FAROFEIROS
Girafales visita Seu Madruga pra dizer que Chiquinha tinha um limpador de pratas na escola. Pressionada, ela confessa que comprou o produto pra concorrer a uma viagem a Acapulco. Para alegria da casa 72 eles ganham, com a Brux... ops, Dona Clotilde indo junto. Florinda também vai "só de marra", acompanhada de Kiko e Girafales. Seu Barriga chega pra cobrar os aluguéis e descobre que todos foram viajar, resolvendo tirar umas férias também. Chaves fica sozinho, mas Barriga o convida pra acompanhá-lo.
A sequência do hotel mostra a turma na praia e na piscina com seus lindos trajes de banho. O roteiro não é lá essas coisas, já que esse episódio (e um do Chapolin) veio de uma parceria da Televisa com o Hotel Hyatt, onde foi gravado. Apesar de ser meio comercial, é legal por ver o pessoal fora da vila.


3º LUGAR: SEU MADRUGA PROFESSOR
PRE - RI - GO
Parceiro de Bolaños desde o início da carreira, Ramón Valdez nunca tinha aparecido no cenário da escola. Isso até Bolaños criar um roteiro que leva Madruga à sala de aula pra não apanhar da Dona Florinda. Ela fica esperando do lado de fora, enquanto Madruga dá a desculpa de que quer tirar o atraso nos estudos. Ao ver sua paixão no pátio, o professor pede que ele tome conta da sala por um instante, onde ele se promove a professor. Ramon literalmente dá uma aula de interpretação com suas explicações sobre aritmética e geometria.


2º LUGAR: CHURROS
Como diz um grande amigo meu, os churros que parecem sardinhas.
Depois de um episódio em que Chaves rouba churros que a Dona Florinda estava fazendo para o Professor Ling... Girafales bem debaixo do nariz dele, o impensável acontece: ela entra em sociedade com Seu Madruga no ramo de vender churros. Após a confusão no preparo dos quitutes e na montagem da barraca, finalmente podemos ver Madruga em seu elegante uniforme. Ramon mais uma vez toma conta do episódio, ajudado pela maravilhosa dublagem de Carlos Seidl. A interpretação é tão perfeita que a sequência em que ele precisa ir desesperadamente ao banheiro passa a impressão de que ele precisava mesmo heheheh. No fim, ao assumir a culpa no lugar do Chaves pelo sumiço dos churros, convence até mesmo a Dona Florinda de que é um homem de verdade.


1º LUGAR: O JULGAMENTO DO CHAVES
Girafales chega com um presente de aniversário para Kiko, um massacote... digo, gato. Aí começa a chuva de piadas do Chaves. Seu Madruga chega com uma bicicleta que usa em seu novo emprego de entregar lenha, e mais piadas são despejadas pelo garoto do barril. Kiko diz que estava contando piadas ao seu gato, que fugiu para a rua pra se livrar do sofrimento. Kiko e Girafales saem pra procurar o bichano, enquanto Chaves resolve ir com a bike. Kiko volta da rua, dizendo apenas "Atropelado". Todos pensam se tratar do Chaves, mas logo ele aparece e Kiko o culpa pela morte do gato. Girafales se dirige à câmera, anunciando que ele será julgado pelo atropelamento.
Na parte 2, a casa da Dona Florinda é transformada num tribunal: Chaves é o réu, Girafales o juiz, na parte da defesa Madruga é o advogado e Chiquinha a testemunha; na acusação Florinda é a advogada e Kiko a testemunha. Com excelentes piadas, o julgamento tem tentativas de suborno (uma mordida) e ofensas, até que Chaves finalmente é inocentado por querer contar que atropelou o gato por desviar do homem que estava parado que num bocó na rua olhando a "dona bonita".

Ora essa, e achou mesmo que essa postagem não teria um super-herói? Vamos aos cinco melhores do Vermelhinho:


5º LUGAR: CHAPOLIN EM ACAPULCO
Um filme sobre o Chapolin está sendo feito no hotel de Acapulco, com Chato Resto no papel principal. O ator abandona as filmagens e Chapolin vem ajudar o diretor a terminar o filme. Pra complicar, uma enfermeira diz que um louco está à solta no hotel, que diz ser o Homem Nuclear (aquele com a famosa corrida em câmera lenta).
Pra não ficar furioso ele deve ser imitado, gerando a cena mais engraçada do episódio. Chapolin se encontra com o produtor do filme (Barriga) e, como não sabem quem é o Homem Nuclear, um pensa que o outro é o louco. Lembrando da ordem da enfermeira, ficam imitando os gestos um do outro sem parar.


4º LUGAR: A FRONTEIRA
Um trio de turistas (Florinda, Carlos e Ramón) está numa caminhonete em uma floresta, quando precisa parar para Carlos dar uma cagadinha. Aparecem então alguns soldados pedindo os documentos e o único que está sem é Carlos, que esqueceu na aldeia onde estavam. Com isso, os soldados dizem que eles serão fuzilados sem dó. Chapolin aparece, indo buscar o salvo-conduto usando cipós. Ao trazer, descobrem que ele dura até as 6 horas da tarde, só que a caminhonete atola a poucos metros da fronteira. Depois de muita lama na cara, o problema é resolvido da maneira mais "Putz, pode crer" possível.


3º LUGAR: O VERNIZ INVISIBILIZADOR
Ramón Valdez (Madruga) está desconfiado que o pintor contratado por ele está roubando seus objetos de cristal. Comprovando isso, o ladrão foge. Sem querer, Ramón derrama um vidro de remédio num balde de tinta, transformando-o num verniz que torna as coisas invisíveis. Chapolin, que foi chamado pela sobrinha, se empolga e começa a deixar invisíveis vários objetos da casa. Ao saber dessa mistura, o bandido troca o balde por um de tinta comum. Enquanto Chapolin usa a tinta amarela pra tentar tornar invisíveis o bigode e as tatuagens de Valdez, o bandido retorna invisível, pois bebeu a poção. Mas o efeito do verniz dura pouco tempo, revelando o bandido.


2º LUGAR: O CONDE CLEPTOMANÍACO
Carlos é o dono de uma valiosa coleção de selos e recebe a visita de um interessado, o Conde Chiuaua, quer dizer, Terranova. Quando o dono vacila, o Conde furta dois deles. A empregada Atadolfa leva a culpa, chamando o Polegar Vermelho pra ajudá-la. Nesse meio tempo o Conde continua surrupiando coisas pela casa, até açúcar. Com sua astúcia Chapolin descobre o verdadeiro ladrão, que confessa sofrer de cleptomania e acaba ajudando o herói a devolver os selos. Na cena em que Chapolin escala o muro depois de tomar a pílula de nanicolina, Atadolfa e o Conde Terranova ficam só olhando. Porque não puseram ele no alto do muro com as mãos? Realmente seus movimentos eram friamente calculados...


1º LUGAR: VELHO OESTE
Episódios no Velho Oeste eram comuns na série, mas dois deles são especiais. No primeiro, toda a cidade teme o bandido Racha-Cuca, até mesmo o xerife (Edgar Vivár, o Barriga), que só usa a estrela pra prender o bolso da camisa. Ele e o banqueiro (Kiko) pedem ajuda a Chapolin, que passa a colar cartazes de recompensa, mas também aproveita pra colar alguns de "Vamos à Disneylândia com o Polegar Vermelho". Aproveita até pra oferecer suas revistinhas para o vilão, logicamente que por medo dele hehehe. No fim, Chapolin vence Racha-Cuca no braço.
Já o segundo mostra dois vaqueiros jogando cartas até que chega a mocinha pra tirar água do poço. Todos no vilarejo estavam com medo de Racha-Cuca, que se disse dono do poço e cobrava 5 dólares ou um saquinho de alfafa pra tirar um balde d'água. Chapolin é chamado pra ajudar e, no confronto com o bandido, os dois caem no poço. Se segurando na corda, começam a se chutar dentro do poço, confundindo os habitantes sobre qual ponta da corda puxar pra salvar o Polegar.
Apesar da produção pobre, o sucesso de Chaves e Chapolin é imenso e inexplicável, deixando a todos nós a frustração de perdermos mais um integrante do elenco. Só nos resta agradecer a esse gênio do humor por todos os momentos de diversão que ele nos proporcionou nesses 30 anos e, com certeza, nos proporcionará pelos próximos 30. Tinha que ser o Chaves mesmo. See ya later...

sábado, 22 de novembro de 2014

Spectreman

"Planeta: A Terra. Cidade: Tóquio. Como todas as metrópoles, Tóquio se acha hoje em desvantagem na sua luta contra o maior inimigo do homem: a poluição. E apesar dos esforços das autoridades de todo o mundo, pode chegar um dia que a terra, o ar e as águas venham a se tornar letais para toda e qualquer forma de vida. Quem poderá intervir?" Spectreman-man-man-man...
Quantas vezes os nerds na casa dos 30 ou 40 anos já ouviram essa introdução? Tenho certeza que muitas, pois assim começavam as aventuras do herói Spectreman, que lutava pra livrar nosso planeta da poluição. Primeiramente exibido na década de 70 na TV Tupi e depois reprisado durante os anos 80 na Record e no SBT, Spectreman fez muito sucesso por aqui, deixando uma legião de fãs saudosíssimos. Marcou época também no Japão, pois provocou a segunda explosão de popularidade entre os seriados de monstros e afins, em 1971, e superou a audiência do famoso anime de baseball "KYOJIN NO HOSHI" durante todo o período em que concorreram.
O episódio piloto que não vingou
A idéia original da produtora P-Production era criar um programa onde "monstros macacos alienígenas" seriam os vilões e teriam o papel principal. Mas a idéia cresceu e se tornou o filme piloto da série, com 8 minutos: "CHOUJIN (Super-Homem) ELEMENTMAN", de agosto de 1970. Nesse piloto o herói aparecia com um visual vermelho, totalmente diferente do que acabou se tornando o verdadeiro Spectreman. Já o vilão, ao invés do Dr. Gori, era somente Karas (Raa, no original). Para viver a versão humana de Elementman foi escolhido o ator e modelo Jiro Dan.
Jiro Dan na série "O Regresso de Ultraman"
Mas esse episódio foi bombardeado pela emissora TV Fuji, nunca sendo exibido. O pessoal voltou pra prancheta, enquanto Jiro Dan passou para a imortalidade como Hideki Goh em "O REGRESSO DE ULTRAMAN". O projeto foi todo mudado, já que em Elementman a boca do herói podia ser vista, que nem a máscara do Capitão América. Assim como o filme "GODZILLA", de 1954, a intenção original era ser inovador e ter batalhas do Elementman contra monstros em stop-motion, mas o pouco tempo e dinheiro os fez mudar de idéia e voltar para a técnica das roupas de borracha. O que restou disso pode ser visto nos primeiros episódios de Spectreman, numa sequência de abertura, onde podemos ver de relance Elementman atrás do monstro stop-motion. Talvez eles pensassem que ninguém ia notar...
Elementman na abertura de "Spectreman". Xi, faiô...
Depois das mudanças a TV Fuji aprovou e, no dia 2 de janeiro de 1971, a série estreava com o título "UCHU ENJIN GORI" (Gori, o Homem-Macaco Espacial), talvez embarcando no sucesso da série "PLANETA DOS MACACOS". Mas no episódio 21, devido a muitos protestos dos telespectadores, foi alterado pra "UCHU ENJIN GORI VERSUS SPECTROMAN" e finalmente, do capítulo 40 em diante, somente "SPECTROMAN" (Spectreman é o título fora do Japão).
Tetsuo Narikawa, o rosto de Spectreman
Na história, o brilhante gênio da ciência do planeta Épsilon, Dr. Gori, foi escolhido pelo povo como seu líder. Mas ele achava que sua tecnologia superior foi feita pra ser usada para a guerra e conquista intergaláctica. Gori foi julgado e condenado a um processo em que o seu desejo para o mal seria retirado de sua mente, pois em Épsilon não havia pena de morte. Só que ele foge com a ajuda de um oficial do exército chamado Karas, que se torna seu braço direito. Juntos vagaram pela galáxia até chegarem à Terra, que cativou Gori com sua beleza. Ele desprezou os seres humanos, porque a humanidade tinha sido abençoada com o mais belo planeta que já tinha visto, mas eles arruinaram o ar e a água, então usaria a poluição gerada por eles para criar seus pavorosos monstros.
"Só não te dou outra porque..."
Entretanto, a Federação Espacial do planeta Nebula 71, construída para proteger planetas subdesenvolvidos da destruição, envia o ciborgue Spectreman para proteger a humanidade. Ele assume a identidade de Kenji e entra para o Grupo Anti-Poluição, onde luta em segredo pra salvar a Terra dos terríveis inimigos. A série teve 63 episódios, exibidos de janeiro de 1971 até março de 1972.
PAN-PAN-PÃRAN-PANPAN...
Kenji não podia se transformar à vontade. Seu poder vinha da nave dos Dominantes e ele precisava pedir permissão pra isso. Sendo atendido, saudava seus superiores com um gesto nazista e respondia: "Às ordens". Muitas vezes o pedido era negado, levando Kenji a se revoltar contra seus mestres e quase virando picadinho de ciborgue. Em forma humana Kenji foi demitido e recontratado pelo Chefe Kurata quase todas as semanas, mostrando que não era um empregado lá muito confiável.
Chefe Kurata, veja, é Spectreman. "Uuuhh, ótimo..."
Ao contrário de outros heróis, Spectreman não usava uma grande quantidade de armas de energia. Como pareciam drenar seu poder, ele partia pra porrada mesmo. Sua principal arma de energia era o Spectre-Flash, que parecia um arco-íris. Suas outras armas eram shurikens coloridos e as Slices, lâminas serrilhadas em cada uma das luvas.
Raio Rainbow Brite, os shurikens de plástico e a luva do Batman.
Porém, os destaques do seriado eram mesmo os vilões. Karas, o capanga puxa-saco, é o mais engraçado, mesmo às vezes matando humanos sem nenhuma misericórdia. A comédia está nas suas tentativas de se disfarçar e passar imperceptível na Terra. Outras são sua tentativa de copiar os gestos de Gori ou quando leva a culpa pela destruição dos monstros.
Um mestre na arte do disfarce.
Dr. Gori, com seus chiliques toda vez que Spectreman detonava o monstro da vez ou com seus gestos megalomaníacos, ganhou mais vida ainda através da sensacional dublagem de Carlos Seidl, o dublador do "Seu Madruga". Por incrível que pareça, quase toda a mensagem ecológica era geralmente dita pelo vilão, que não acreditava como os humanos podiam tratar tão mal esse maravilhoso planeta. Havia horas em que ele parecia ter mais amor pelo planeta do que a maioria dos habitantes da Terra.
"SE EU FOR ELEITO..."
No último capítulo, Gori utiliza a mente de um boxeador em um de seus monstros, tornando-o quase invencível. Mas Spectreman vence o bicho, deixando Karas enfurecido, que parte pra cima de Spectreman. Karas também é morto, restando ao Dr. Gori cometer suicídio. À beira de um penhasco, Spectreman o pede pra usar seu conhecimento para o bem. Gori recusa, dizendo que seu objetivo é a conquista, pois o mal é sempre lembrado, e o bem facilmente esquecido. Enfim, se joga com uma bomba e explode. Spectreman, que havia sobrecarregado sua energias, não pode mais voltar a ser Kenji, tendo que retornar ao seu planeta natal.
Muitas vezes visto como uma imitação "ULTRASEVEN", Spectreman foi um enorme sucesso em todo o mundo, especialmente na América do Sul. O tema de abertura no estilo hard rock é lembrado pela maioria dos fãs internacionais, sendo mais conhecido que o tema original. O sucesso no Brasil gerou uma série de histórias em quadrinhos, que tinha diferenças em relação à TV. Spectreman era azul e prateado ao invés de marrom e dourado, o Dr. Gori tinha cabelos pretos (??) e alguns nomes eram diferentes. Com algumas capas muito bonitas, hoje são cobiçados itens de colecionador.
Para os padrões de hoje, Spectreman deve muito nos quesitos produção e efeitos especiais. Vista hoje por quem nunca assistiu, sempre passará a sensação de ser uma porcaria completa, pois até mesmo o programa do Chapolin passava mais realismo nas cenas de encolhimento do Vermelhinho.
Mas quem assistiu numa época em que monstros de borracha eram mesmo colossos de 30 ou 40 metros e maquetes de isopor realmente eram cidades habitadas vai sentir aquela vontade de ver um episódio novamente. Seja o do pai que vira um monstro que come lixo, o do monstro Semáforon (meu preferido) ou o da OPERAÇÃO GENOCÍDIO. See ya later...