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domingo, 26 de outubro de 2014

TOP 5: GRANDES PERSONAGENS QUE VOCÊ NÃO SABIA QUE SÃO IMITAÇÕES

Admito: nesse mundo nada se cria, tudo se copia. Até mesmo aqueles heróis que achamos que são únicos, pois pra se chegar a eles os criadores copiara... ops, se inspiraram em algum outro. E não, não estou falando das obras do “Mestre das Imitações” Rob Liefeld. Estou falando de clássicos como...


5º LUGAR: CAPITÃO AMÉRICA
O Capitão América surgiu durante a 2ª Guerra Mundial como inspiração para os jovens se alistarem. Não existe herói mais americano do que o Capitão vermelho, azul e branco.
O Capita é tão conhecido que, se alguém usar estrelas e listras em algum novo personagem, vai ter que escrever “IMITAÇÃO” no peito dele. Ainda mais se tiverem alguma coisa redonda, vermelha, azul e branca e à prova de balas.

Só que...

Acontece que o Capitão chegou um pouco tarde no conceito “estrelas e listras”. 14 meses antes dele, em janeiro de 1940, estreava o Escudo. Ele usava um traje blindado em forma de um - adivinhem – escudo, que repelia balas e também o impedia de bater palmas ou dar abraços.
Coincidentemente, em sua primeira edição o Capitão América tinha um escudo na mesma forma que o uniforme do Escudo. Era uma cópia tão descarada que os editores do Escudo reclamaram, o que fez a Marvel mudá-lo na edição seguinte para o frisbee gigante que conhecemos hoje.
Mas as coincidências não acabam no senso de moda dos personagens. Os dois ganharam seus poderes depois de tomar um soro e em ambos os casos os nazistas mataram os médicos que criaram o supersoro. O nome da fórmula do Escudo era a sigla óbvia SHIELD, que você pode reconhecer como o nome da organização onde o Capitão América acabaria trabalhando.
A primeira temporada do Escudo chegou a um fim prematuro quando o editor, que depois mudou o nome da editora MLJ para Archie Comics por causa da popularidade desse personagem, decidiu parar de publicar super-heróis. E, apesar de várias tentativas de reviver o personagem ao longo dos anos, o Capitão América manteve a coroa orelha-de-asa de rei dos heróis patrióticos.


4º LUGAR: AQUAMAN
Quando o Aquaman estreou em 1941 ele era apenas um ser humano normal, cujo pai cientista o tinha usado como cobaia aquática, lhe dando o poder de sobreviver onde é mais úmido. O Aquaman que todos nós conhecemos e amamos não apareceu até 1959: foi quando ele se tornou um atlante, ganhou a habilidade de se comunicar telepaticamente com frutos do mar e se tornou o rei dos mares.

Só que...

O Tubarão já tinha feito tudo isso 20 anos antes. Ele estreou em “Amazing-Man Comics” em 1939 e é considerado o primeiro super-herói aquático. O Tubarão assistia sua super-televisão de pé e combatia o crime com a ajuda de seu velho e querido pai: o próprio Netuno.
Mas as semelhanças terminam nos poderes e origens, porque Aquaman e Tubarão não são parecidos. O Tubarão usa uma sunga azul e uma máscara – embora ele não tenha uma identidade secreta pra proteger.
Aquaman, por outro lado, tem uma aparência diferente. Em um mundo onde a maioria dos heróis pegaram todas as roupas vermelhas e azuis, Aquaman decidiu inovar: ele luta contra o crime marítimo de blusa laranja e calças verdes.
Maaaaaas, se voltar um pouco no tempo nas histórias do Tubarão, você vai encontrar um rosto familiar. Minimidget é um homem de 5 centímetros de altura, mas tirando isso ele e Aquaman têm muito em comum.
Cabelo loiro, blusa laranja, calças verdes e um cinto de ouro? Sim, tudo foi copiado pela DC, que só acrescentou a letra "A". Pegue qualquer coisa de “Amazing-Man Comics” e você está segurando a receita completa pra fazer seu próprio Aquaman.


3º LUGAR: JUSTICEIRO
No início dos anos 70, um assassino vestido de preto atirou contra o Aranha em “The Amazing Spider-Man 129”. A Marvel gostou tanto do personagem que deu a ele sua própria série, transformando esse pistoleiro com um crânio estampado no peito em um exército de um homem só lutando contra o crime. O Justiceiro foi o primeiro anti-herói de verdade nos quadrinhos, e todo mundo tentou copiá-lo desde então.

Só que...

O Justiceiro realmente foi muito influenciado (leia-se descaradamente copiado) pelo autor Don Pendleton, que publicou o Executor pela primeira vez em 1968 no livro “Guerra contra a Máfia”. Como o Justiceiro (vulgo Frank Castle), o Executor (vulgo Mack Bolan) é um veterano do Vietnã que mantém um “Diário de Guerra”, dirige um furgão high-tech e atira contra um monte de gente ruim até a morte.
Mas, como personagens de livros não são conhecidos por suas roupas bizarras, o Justiceiro é facilmente reconhecido pela sua marca registrada: roupa preta com a caveira branca que faz com que ele pareça mais vilão do que herói. É um grande visual e não podia ser diferente, já que ele é usado desde a década de 40. O traje se baseia muito no de um herói da Era de Ouro dos quadrinhos chamado Terror Negro. A história apresentava Bob Benton, um farmacêutico que criou uma fórmula que lhe deu super-força e invulnerabilidade. Por razões nunca explicadas no gibi, isso também lhe deu uma compulsão irresistível de se vestir com roupas de pirata.
Apesar dos poderes comuns, o Terror Negro era bastante popular, talvez devido ao fato de rivalizar com muitos personagens ruins. Numa época em que todos os outros heróis usavam cores berrantes, o Terror Negro era uma figura ameaçadora, vestindo preto e estampando uma caveira com ossos cruzados que mostrava que ninguém se mete com o Terror Negro.
No entanto, ao contrário do Justiceiro, o Terror Negro não era um anti-herói. Ele era apenas um benfeitor tentando fazer a diferença no mundo socando bandidos enquanto usava o símbolo universal da morte. Também ao contrário de Frank Castle, o Terror Negro tinha superpoderes e não costumava usar armas, mas usava quando fosse preciso. Durante alguns de seus momentos mais rápidos no gatilho ele poderia humilhar o Justiceiro. Afinal, quando foi a última vez que você viu o Justiceiro literalmente atropelar um grupo de asiáticos ao mesmo tempo em que os transforma em queijo suíço?


2º LUGAR: CICLOPE

O que você faz quando acorda de manhã e descobre que seus olhos estão vomitando raios destrutivos que você não pode controlar? Você ganha um par de óculos de proteção pra evitar disparar nos outros e, em seguida, se junta aos X-Men e torna-se o super-herói mutante conhecido como Ciclope, é claro.

Só que...

Ou, se você estiver quase 25 anos antes dos X-Men existirem, você pode mudar o seu nome para Cometa.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

TOP 5: REINVENÇÕES FDP

Alguns personagens de quadrinhos foram reinventados com sucesso ao longo dos anos, como o Super-Homem (que inicialmente não voava), os X-Men (que não tinham o Wolverine) e Batman (originalmente um aventureiro neurótico. Opa, peraí...). Em todos esses casos os roteiristas e desenhistas sempre respeitaram o conceito do personagem, já que foi assim que ficaram populares e uma mudança seria estúpida, porque assim você criaria um novo personagem.
O que não quer dizer que isso não aconteceu. Por exemplo...


5º lugar: JUSTICEIRO ANJO


Quase todos os heróis têm algum tipo de código moral, geralmente sobre assassinar seus inimigos. Os roteiristas fazem isso pra manter nossos heróis simpáticos e pra provar que eles são melhores do que os assassinos e vilões fantasiados contra quem eles lutam.
Mas os roteiristas receberam carta branca pra um herói. Um herói que parecia e agia como um vilão. Um cara cujo único poder é ser um louco com um monte de armas. Nenhum código. Nenhuma moral. Apenas "matar os caras maus". Esse herói é o Justiceiro.
"Com grandes poderes vêm grandes tiroteios."
É o único gibi tradicional totalmente irresponsável, onde praticamente todo mundo morre. É impressionante.

A reinvenção FDP:

Em 1998, pra aliviar o caráter, a Marvel decidiu matar Frank.
"Eu acabei de matar todo mundo. Merda, não tenho mais o que fazer."
 E as coisas só pioraram. Tudo porque alguém pensou que não seria ruim se o Justiceiro virasse um anjo pistoleiro.
Nessa minissérie, o Justiceiro é trazido de volta à vida por Gadriel, um anjo da guarda que decide dar a esse assassino em massa uma chance de redenção - o que neste caso significa entregar-lhe armas angelicais e enviá-lo pra matar demônios. Seu novo trabalho também lhe dá invulnerabilidade e sentidos aguçados, onde ele deixa de ser o Justiceiro e se torna uma versão masculina de Buffy, a Caça-Vampiros.
Enquanto as armas mágicas brilhantes de Frank podem matar criminosos comuns, durante essa série ele as usa pra lutar contra as hordas do inferno, a fim de corrigir o seu karma e ter a chance de ver sua família novamente no céu. Este é o tipo de besteira que só poderia ter vindo da mente de um executivo de TV lançando um desenho animado amigável do Justiceiro e uma linha de brinquedos onde ele realmente não mata pessoas, mas ainda assim isso foi escrito e publicado pela própria Marvel.

No final da minissérie, o Justiceiro acaba como uma espécie de anjo da guarda, elaborado pra ajudar as pessoas que precisam, ao invés de apenas estourar as cabeças dos criminosos. E quando ele se depara com os criminosos, ele agora dá uma chance de eles se arrependerem e irem embora antes de despachá-los.
A idéia de ele ser um disciplinador angelical com armas era pra fazer o personagem mais simpático, mas isso matou o objetivo simples do personagem ("Matar todas as coisas "). Depois de mais uma minissérie, dessa vez com Wolverine como convidado, o Justiceiro foi trazido de volta ao normal. Felizmente o roteirista seguinte só precisou de três quadrinhos pra corrigir todos os danos.


4º lugar: MULHER-MARAVILHA KUNG-FU
Mesmo que seu criador tenha lhe dado uma fraqueza machista ridícula, a Mulher-Maravilha sempre foi grande. Numa lista de 10 super-heróis mais famosos de todos, ela não só estaria lá como seria a única mulher.
OI ZAZÁ...
Parte do apelo é que o conceito Mulher-Maravilha é bastante simples: ela é uma poderosa amazona enviada para o mundo dos homens pra combater o crime. É simples. Além disso, ela possui um laço mágico e um avião invisível.

A reinvenção FDP:

Todas as coisas foram deixadas de lado entre 1968 e 1973, quando a DC decidiu atualizar a Mulher-Maravilha como uma detetive particular kung-fu, sem poderes ou uma fantasia. Ou, você sabe, qualquer coisa que possa justificar o uso das palavras "Mulher-Maravilha" na capa.
Embora a DC provavelmente estivesse tentando lucrar com toda aquela coisa de "feminismo" com essa mudança, tudo acontece por causa de um cara: em Wonder Woman nº 179, seu namorado Steve Trevor (o Lois Lane macho) fica em sérios apuros e ela tem que ajudá-lo. Enquanto isso, as amazonas anunciam que estão indo pra outra dimensão e que a Mulher-Maravilha tem que vir com elas se quiser manter seus poderes. Sabendo que Steve iria morrer dentro de dois dias se ficasse sozinho, MM desiste de sua fantasia e habilidades de amazona pra ficar com ele.
Felizmente ela não fica desamparada por muito tempo, porque ela imediatamente corre pra um cego chamado I Ching, que ensina seu kung-fu.
"O segredo do kung-fu é... Puta merda, por que meu braço esquerdo está branco?"
Depois de um curso de curta duração, a nova Mulher-Maravilha está pronta pra voltar a ajudar Steve... mas então Steve morre. Mesmo que a morte de seu namorado fosse uma razão pra ela ir com as amazonas, MM nem sequer pensa em segui-las para a outra dimensão. Em vez disso, ela abre uma butique, se torna detetive particular de meio período e começa a viajar pelo mundo com seu mestre de kung fu.
Em uma aventura, ela luta contra um bando de lésbicas hippies que escravizavam crianças, provavelmente como resultado do editor pedindo uma história "arrancada das manchetes" e o roteirista combinando literalmente várias notícias juntas. Na maioria das vezes o nome Mulher-Maravilha não é sequer mencionado fora da capa, uma vez que todo o tempo ela usava seu apelido, Diana Prince.

Ironicamente, o mesmo movimento feminista que a DC desajeitadamente vinha tentando apelar foi responsável pela Mulher-Maravilha voltar ao normal cinco anos depois, quando começou uma campanha pública pra restituir seu traje clássico e poderes. A DC imprimiu rapidamente uma história onde I Ching é morto e Diana é atingida na cabeça e perde a memória dos últimos cinco anos, vagando de volta para a Ilha Paraíso. Provavelmente sua perícia com artes marciais foi revertida nesse ponto também, porque nada disso foi mencionado novamente.


3º lugar: PROFESSOR HULK
Desde sua criação, o Incrível Hulk sempre foi um homem normal (Dr. Bruce Banner) lutando com seus demônios interiores, que são representados sob a forma de um monstro verde com um gosto por calças roxas.
O centro da história é ele ser forçado a viver como um pária, se escondendo dos militares, o que era muito difícil dada a sua tendência de crescer e esmagar coisas sempre que fica furioso. É esse paradoxo que faziam as histórias interessantes.

A reinvenção FDP:

Em 1991 a Marvel fez uma série onde Banner, através de sessões de hipnoterapia, cura-se de seus problemas de raiva... deixando-o como um professor de ciência de pele verde com 8 metros de altura. Assim, não só o Hulk pode formar frases coerentes como agora ele também usa roupas completas.
Mas essa reviravolta na essência do personagem não poderia durar muito tempo, certo? Na verdade, isso durou 8 anos, com Banner em sua forma de Hulk o tempo todo, porque ele não tinha realmente nenhuma razão pra voltar a ser um magrelo fracote. Não só isso, Hulk também se transformou em um super-herói pleno, juntando-se uma organização filantrópica chamada Panteão e, com o tempo, virando seu chefe.
Obviamente, o novo status social do Hulk exigia que ele se vestisse com classe:
Trinta alfaiates morreram fazendo esse terno.
Então, sim, ele não era realmente o Hulk no sentido tradicional. Ele ainda podia esmagar um tanque, mas preferiu usar seu cérebro antes dos punhos. Mas peraí, se ele é um gigante musculoso quando está calmo, o que acontece se ele fica realmente com raiva? Bom ...
Por que a calça rasgada?


2º lugar: TEMPESTADE PUNK
Tempestade é uma das mutantes mais populares dos X-Men (depois de Wolverine, Wolverine, Noturno e Wolverine) e também uma das mais poderosas, devido à sua incrível capacidade de controlar o tempo.
Originalmente, Tempestade foi tratada como uma deusa em sua terra natal na África devido aos seus poderes e benevolência, e mesmo depois de se juntar aos X-Men, ela se manteve serena e majestosa. Ela é uma senhora elegante, é o que quero dizer.

A reinvenção FDP:

O que acontece quando você combina Tempestade, punk rock e Mr. T?
Gosta de Sex Pistols?
Chris Claremont, roteirista dos X-Men na época, decidiu que era hora de dar um novo corte de cabelo pra ela. Então, com uma brincadeira de mau gosto, o desenhista fez um esboço da Tempestade parecendo o Mr. T, uma vez que eram os anos 80 e o cara estava em toda parte. Pra surpresa do desenhista, o editor gostou do desenho e o obrigou a incluir nos quadrinhos, apesar dele dizer que era uma "péssima idéia".

Como qualquer antropólogo formado pode dizer, a falta de piedade segue o moicano onde quer que ele esteja, e com a Tempestade não foi diferente. Ela simplesmente começou a detonar gangues inteiras apenas com as mãos apenas pra mostrar como ela pode ser durona.
A mudança foi concluída, alguns meses depois, quando ela foi atingida por uma arma de raios que tirou seus poderes. Isto seria muito legal, exceto que o ponto de estar nos X-Men é que os personagens são mutantes. É o primeiro critério pra ingressar e permanecer. Mas não só Tempestade fica como desafia um Ciclope amargurado pra uma luta pra ser líder da equipe. E ganha.
Imaginem recrutar essa doce e humilde menina estrangeira e observar lentamente ela se transformar em uma porra-louca. Suponho que os outros X-Men estavam com muito medo dela, com poderes ou não.
Uma vez que os anos 80 e a T-mania acabaram, Tempestade lentamente voltou pra sua personalidade de origem. Mas, por precaução, ninguém tem permissão pra assistir "Rocky III" na Mansão Xavier até hoje.


1º lugar: CAPITÃO AMÉRICA VIRA O CAPITÃO... NADA
Aqui está tudo o que você precisa saber sobre o Capitão América:
Sim, o traje-bandeira praticamente diz tudo, e também o fato de que ele está socando o nazismo na cara - e não apenas Hitler, mas o próprio conceito do nazismo. Consta que, no momento em que o artista terminou de desenhar essa página, a mandíbula real de Hitler deslocou-se espontaneamente. Após a 2ª Guerra Mundial, o Capitão América trabalhou por um tempo, mas depois voltou nos anos 60 pra mostrar a todos os novos super-heróis quem era o maioral. Desde então, ele manteve-se como o mais popular herói patriótico do mundo.

A reinvenção FDP:

Aquele momento em que ele desistiu da parte "América" ​​e se transformou em um super-herói genérico de merda:
Sim, por um tempo, o Capitão América trocou seu nome, traje e escudo e tornou-se... um outro personagem obscuro da Marvel com quem ninguém se preocupa. Tudo começou bem no meio da versão Marvel do escândalo de Watergate, em que o presidente Nixon é exposto como um criminoso e estoura os miolos na frente do Capitão América. Nosso herói fica tão chocado e desiludido que joga seu traje e sai do patriotismo.
No entanto, depois de alguns meses de desemprego Steve decide que ainda quer ser um super-herói, e assim começa a pensar em uma identidade que irá refletir sua nova atitude ...


... se tornando o Nômade e usando o pior traje que se possa imaginar. Em sua aventura de estréia, o Nômade tem de lutar contra uma mulher obcecada por cobras dentro de uma sala de cinema que acontece de estar exibindo uma velha entrevista do Capitão América, provavelmente pra ressaltar como é terrível esse novo uniforme se comparado com o antigo.
A pergunta é: Por que mudar tudo ? Ele não poderia simplesmente cobrir o "A" em seu velho traje e continuar usando ele? Pelo menos ele poderia ter mantido seu escudo indestrutível e pintar de outra cor pra torná-lo menos patriótico. Além disso, até mesmo o próprio gibi reconhece que a decisão de dar pro Capitão América uma capa era um erro.
É issaí por hoje, pessoal. Aproveitem e sigam a Trincheira Nerd no Facebook. Sugestões são bem-vindas, assim como comentários, elogios, doações e xingamentos moderados. See ya later...

segunda-feira, 30 de junho de 2014

TOP 5: HERÓIS QUE VENCERAM SEUS CLICHÊS

Alguns super-heróis são referência. Super-Homem encarna a cidadania obediente, o Homem-Aranha está prestes a virar um adulto e o Morcego Verde representa a vontade e superação para combater o mal.
Outros ainda ficam meio presos ao momento de sua criação, caso dos X-Men (esse papo de racismo não cola mais faz tempo) e Capitão América (apesar que guerra e patriotismo são clichês dos americanos). No entanto, alguns personagens sobrevivem ao tempo e acabam se reinventando, provando que uma mudançazinha em um personagem nunca faz mal a ninguém.


5º lugar: GLADIADOR DOURADO 
Quem é:
Um guarda de segurança que volta a 1986, porque era quando idiotas queriam ficar ricos e famosos na marra. Ele é mais vendido do que pastel na feira, e se ele salva a sua vida, pode deixá-lo em perigo de novo para que a imprensa possa filmar o seu lado bom.

Como era na origem:
Se você já assistiu “Sessão da Tarde”, sabe que o mundo inteiro consistia em duas coisas nos anos 80: atletas e nerds, muitas vezes competindo por um troféu e o coração de uma garota. Gibis de super-heróis são onde os leitores fantasiam sobre ser forte como um atleta, mas tipo como um nerd, e o Gladiador Dourado vira a mesa como um trapaceiro louco por dinheiro. Era um atleta que manipulava os resultados dos próprios jogos, mas foi descoberto e expulso dos esportes. Indo trabalhar em um museu de super-heróis, rouba bugigangas e uma máquina do tempo pra realizar o sonho de ser um super.

Como ficou:
Se enchendo de metal. Ele faz amizade com o Besouro Azul, o inventor gordo que virou super-herói. Acaba ficando mais agradável, e todos nós aprendemos algo sobre não julgar os outros por rótulos. Ele vira um dos maiores heróis da Terra com métodos anônimos e viagens no tempo. Ele percebe que a fama é muito anos 80, apesar de ter usado Shakespeare como um de seus disfarces.


4º lugar: CRISTAL
Xanadu puro aqui, mas por que o Ciclope tá cego?
Tudo que seus olhos fazem não é emitir luzes brilhantes?
Quem é:
Cristal é uma mutante que pode transformar som em luz e boca de sino numa coisa fabulosa. Ela recusou um trabalho com os X-Men porque seu primeiro amor é a disco - e a discoteca nunca vai morrer.

Como era na origem:
A impressão de quadrinhos tem um prazo de execução de três meses, ou seja, qualquer moda em um super-herói morre nesse tempo. Agora você sabe porque Cristal estreou em fevereiro de 1980. Se ela tivesse sido impressa alguns anos antes, Olivia Newton-John teria processado a Marvel com uma dança sensual, mas a década mudou, a emoção se desgastou e os americanos, envergonhados, nunca concordaram em falar sobre o que tinham feito nos anos 70.
Exceto os Ramones.
Cristal geralmente estava muito ocupada em turnês pra participar de batalhas com os X-Men, e quando ia usava patins pra lembrá-los que eles estavam perdendo seu tempo. Ela não sofreu muito preconceito, porque ninguém jamais odiou loiras ágeis com o poder de fazer um grande concerto. Cristal provavelmente tinha mais bronca de passar pra idade adulta do que de ser uma mutante.

Como ficou:
Onde quer que exista um personagem de quadrinhos, tem um fã morrendo de vontade de escrever uma série de 100 números pra ele, e esse número multiplica-se rapidamente quando o personagem é uma das X-Mulheres mais gostosas. Pegue o fato de que tanto os fãs de música ou mutantes gostam dela e você tem um verdadeiro cult, apesar de ser a versão da Marvel do Stu Disco.
Espero ver a Lady Gaga vestindo isso ainda.


3º lugar: LANTERNA VERDE 
Quem é:
Guy Gardner era um Lanterna Verde descartável que acordou um dia com uma nova personalidade machista. A DC pegou Howard Chaykin pra projetar uma versão fascista do uniforme do Lanterna Verde, com cabelo cortado à escovinha e botas de marujo.

Chaykin era, aparentemente, o cara certo pra esse tipo de coisa.
Como era na origem:
Caricatura política.
Ele (Gardner, não Chaykin) invadiu a Rússia quase começando uma guerra nuclear. Ele tentou eliminar o problema dos sem-teto eliminando os desabrigados. Ele acreditava que as mulheres devem ser vistas, mas não ouvidas, a menos que elas estivessem fingindo um orgasmo. Ele literalmente puxou a capa do Super-Homem. Não havia nenhum problema tão perigoso que Gardner não entrasse de cabeça.

Como ficou:
O roteirista Keith Giffen prendeu Gardner em uma versão cômica da Liga da Justiça e tornou sua provocação nuclear uma comédia insuportável. Como as piores estrelas de reality show, ele era um canalha fascinante que mantinha o grupo animado.
A Liga da Justiça ficou engraçada até um democrata virar presidente. Aí os gibis viraram uma menina de 15 anos que se apaixona por qualquer idiota em uma jaqueta de couro: duas qualificações que Gardner tinha.
E ombreiras. Ah, anos 90.
E Gardner continuou firme, socando qualquer um que tentasse tirá-lo dos gibis. Aqueles de vocês que viram o filme “Lanterna Verde” sabem que há milhares de Lanternas, e aqueles de vocês que não viram “Lanterna Verde” saibam que deixaram de fora o único que é divertido. Nerds gostam de argumentar qual Lanterna é o mais phodão, mas Guy com certeza é o que arranca mais risadas. 


2º lugar: LUKE CAGE e PUNHO DE FERRO
Se você tem que contratá-los, eles realmente são heróis?
Quem são:
Luke Cage foi um prisioneiro inocente que se tornou super em um experimento de invulnerabilidade, pois a nação queria condenados indestrutíveis. Punho de Ferro não foi o primeiro artista marcial da Marvel, mas ele era o único branco (foi mal, Shang-Chi), o que o fez comercializável, apesar de sua roupa imbecil. É praticamente o  Elvis da Marvel.
Como eram na origem:
Rápido: cite dois gêneros cinematográficos mais populares dos anos 70. Se você disse faroeste e filmes de gângster, tá certo. Mas os ingressos custavam cerca de um dólar, caro demais pra criadores de quadrinhos. Os únicos filmes que o pessoal da Marvel podia ver no cinema eram as matinês: blaxploitation e kung-fu.

Como ficaram:
Foi estranho. Nos anos 70, as pessoas estavam confortáveis em companhia inter-racial, gostavam de combate ao crime e discoteca (e o visual dos dois ganharia várias fãs nas pistas de dança). O cancelamento apareceu pros dois personagens, mas se você sabe uma coisa sobre Luke Cage é que ele não vai a lugar nenhum até que seja pago.
Luke Cage fala com Dr. Destino como se ele fosse uma cadela.
A única maneira de seguir em frente foi juntá-los em um título de policiais amigos, do tipo Máquina Mortífera. Com meio público pra cada um, esses dois estrelaram o maior gibi já escrito sobre um condenado de blusa canário e seu amigo que adora chinelos. Não há cultura, religião ou sexualidade preparada pra esse tipo de incompatibilidade. Eles fizeram uma boa equipe, saindo do gênero clichê que foram criados pra ir pra outro gênero clichê. Mas pelo menos mudaram de ares...


1º lugar: JUSTICEIRO
Quem é:
Frank Castle era um fuzileiro naval que sobreviveu a três passeios no Vietnã apenas pra ver sua família morta por mafiosos num piquenique. Ele declarou guerra contra o crime, que começa com essa ameaça ao Homem-Aranha.

Como era na origem:
Um veterano do Vietnã enlouquecido que não distingue amigo de inimigo foi uma idéia usada cansativamente em Taxi Driver e Platoon. Muito lenta, Hollywood. O Justiceiro que começou essa onda de violência pós-traumática. O único veterano conturbado que estreou antes foi Rambo, na versão em livro, mas ele estava tentando viver e deixar viver.
Mas Vietnã é notícia velha, baby. Estão explodindo países menos úmidos hoje em dia. Isso é má notícia pra relevância do Justiceiro. Seu personagem é amarrado no que a guerra suja significa para a psique nacional e os maus-tratos aos seus veteranos.
Como ficou:
Caramba, ele é o Justiceiro. Sobreviver é tudo o que ele sabe fazer. Tá lá na sua origem, quando a sobrevivência vira sua maldição. A Marvel tentou matá-lo quatro vezes, e ele só volta mais existencial. Nesse ponto, ele é um homem de 60 e poucos anos de idade, que foi ressuscitado dentre os mortos mais vezes do que Keith Richards. 
Mais ou menos isso...
A Marvel mantém o Vietnã integrante de sua história, porque o ódio previne rugas. O Justiceiro dos gibis é vítima de violência sem sentido, e vê a sociedade como uma mentira construída sobre as verdades da selva. Ele é um homem em uma guerra invencível contra a natureza humana. O Justiceiro dos filmes, que são fracos, é alvo de um golpe da máfia por ser um bom policial, enquanto está sendo caçado pela lei.

Isso mostra (pelo menos pra mim hehehe) que é possível mudar um personagem sem piorá-lo. Sair da mesmice, reinventar...apesar que existem algumas reinvenções de doer. Mas fica pra um próximo post. See ya later...